gente de apartamento
lazer é coisa de rico - uma crônica
Há um centro gastronômico no centro da cidade que eu nunca havia visitado antes. Uma amiga minha sempre insistia para que fossemos lá juntas, mas por diversos motivos, nunca conseguíamos marcar um dia.
Não demorou muito para que minha mãe descobrisse a existência do famoso centro. Passaram meses, e a frase “precisamos vir aqui!” era sempre repetida cada vez que passávamos na frente dele. Dizíamos, e dizíamos, mas nunca fazíamos de fato.
Até que: dois de fevereiro. Feriado em Porto Alegre. Os museus estão fechados, puts, acabou com nossa programação. Ei, que tal irmos naquele centro que nunca fomos? Ótimo! Vamos para o carro, crianças.
Chegando lá, fomos surpreendidos por uma atmosfera aconchegante: balanços, almofadas espalhadas pelo gramado, barraquinhas de comida, mesas de madeira… Tudo muito belo, tudo muito certo.
Apesar disso, era nítido a discrepância de minha família para as outras presentes no local. Como brincou minha mãe assim que nos sentamos para comer nosso lanche (absurdamente caro!), aquele era um centro para “gente de apartamento”.
Porém, eu tenho um irmão de cinco anos de idade. Era óbvio que ele ia nos fazer passar vergonha falando em alto e bom som “mãe, mas por que aqui só vem gente de apartamento?”.
Como se não bastasse, a criança ainda começou a cantar: “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci!”
Vê se pode.


